Um espaço dedicado ao mundo Islâmico
Publicidade

O Isslam e o comércio

O Isslam e o comércio
R
Redação Autor
Partilhar:

O Sheikh Aminuddin Mohamad defende que a actividade comercial no Isslam é uma prática nobre e “uma procura da graça de Deus”, desde que pautada pela ética e pela justiça social. Neste artigo, o líder religioso sublinha que, embora o lucro seja lícito, o comerciante muçulmano deve abster-se de práticas como a usura, o monopólio e a exploração de preços, sob pena de incorrer em transgressão espiritual.

A actividade comercial no Isslam é permitida, pois é um dos meios de ganhar a vida. O Qur’án quando fala da procura do sustento através do comércio recorre à uma frase muito bela, que diz: “A procura da graça de Deus”.

Este é um trecho de um versículo num capítulo alusivo à oração da sexta-feira, no qual Deus diz: “E quando a oração terminar, dispersai-vos pela terra e procurai algo da graça de Deus”. Omar (R.T.A.), um dos khalifas, dizia: “Depois do djihad pela causa de Deus, não há melhor sítio para mim, onde gostaria de morrer do que o mercado em que esteja a comprar e a vender para sustentar a minha família”. 

O comércio é uma actividade nobre, e entre os companheiros do Profeta havia também alguns comerciantes famosos como Abdur-Rahman Ibn Ãuf, que quando migrou de Makka para Madina não levava nada consigo.

O Profeta (S.A.W.) estabeleceu relações de irmandade entre ele e Saad Ibn Ar-Rabi (R.T.A). Este ao recebê-lo, disse: “Ó meu irmão! Eu sou de entre os ricos, venha comigo, vou partilhar contigo a minha riqueza. Tenho duas esposas, veja de qual delas é que gostas, que divorciar-me-ei dela para que possas desposá-la após o Iddah (período de espera). Tenho duas casas, ficas com uma e eu ficarei com outra”. 

Saad (R.T.A) demonstrou assim a sua grande generosidade, porém Abdur-Rahman Ibn Ãuf  (R.T.A) não aceitou nenhuma das ofertas avançadas e disse: “Deus que te abençoe na tua riqueza, na tua família e na tua casa. Eu sou comerciante, indica-me apenas o caminho do mercado”. 

Quando lhe foi indicada a localização do mercado, iniciou a sua actividade comercial prosperando de tal modo que superava os judeus que já lá viviam. Conseguiu acumular riquezas, e quando morreu, uma das suas quatro esposas recebeu de herança 80.000 dinares, correspondendo essa quantia a 1/32 avos do legado deixado pelo marido. E todo esse legado provinha da actividade comercial. 

Porém, na prática do comércio deve-se ter cuidado com alguns aspectos, pois de contrário pode-se incorrer na ira de Deus e resvalar para o fogo do Inferno. 

Sobre isto o Profeta Muhammad (S.A.W.) disse: “No Dia da Ressurreição os comerciantes serão ressuscitados no grupo dos perversos, excepto os que temiam a Deus, eram rectos e verdadeiros”. E acrescenta: “Deus não olhará com compaixão para o comerciante que vende o seu produto recorrendo à mentira, ao embuste e ao juramento falso”. 

E o mal no comércio é querer-se ganhar o mais rápido possível e a qualquer custo, quer seja lícita ou ilicitamente. Portanto, o comerciante que quer estar na misericórdia de Deus deve seguir as seguintes orientações: 

1 – Só deve comercializar coisas lícitas (halaal) abstendo-se de tudo o que é ilícito (haraam). Por exemplo, não se pode vender carne de porco e seus derivados, bebidas alcoólicas, estupefacientes, etc., nem mesmo aos não-muçulmanos, por se tratar de coisas prejudiciais e imundas, pois o Profeta (S.A.W.) amaldiçoou dez tipos de pessoas ligadas às bebidas alcoólicas, de entre elas a que produz; a que transporta; a que serve; a que vende; a que bebe; a que importa; a que exporta, a que armazena, etc., enfim, todo aquele que de uma ou de outra forma contribui na produção, circulação e consumo de álcool. 

2 – Não deve enganar nem trair, pois o Profeta (S.A.W.) diz: “Quem nos engana não pertence ao nosso grupo”.

3 – Não deve açambarcar, nem produtos alimentares nem outros bens de consumo porque tal prática é haraam (proibida). E o Profeta diz: “Só o pecador é que açambarca”. 

4 – Não se deve trabalhar com juros, nem recebendo, nem concedendo. 

5 – O comerciante que quer agradar a Deus deve pagar o Zakaat (taxa obrigatória) a deduzir da sua riqueza, avaliando-a todos os anos para dela deduzir 2,5% (dois e meio por cento). Na avaliação da sua riqueza deve incluir a mercadoria em stock, cujo valor seja conhecido. Quanto aos imóveis, balanças, secretárias, frigoríficos, etc., não são incluídos na avaliação, sendo-o apenas as mercadorias correntes destinadas à venda, bem como os valores que estejam na posse de devedores que possam ser recuperados, enquanto as dívidas devem ser deduzidas ao valor do Zakaat. O comerciante não deve esquivar-se do cumprimento desta obrigação por achar que o valor a pagar é alto, dando assim oportunidade a Satanás de desviá-lo, amedrontando-o com o espectro da pobreza e fome, pois Deus promete restituir tudo aquilo que o crente gasta no cumprimento das Suas ordens. 

6 – O comerciante muçulmano não se deve distrair das suas obrigações religiosas, da recordação à Deus, da Oração, da Peregrinação, do bom trato, particularmente aos seus pais e familiares, bem como às pessoas em geral, dos direitos dos vizinhos, etc. Estas obrigações são-no para todos os muçulmanos em geral, mas especialmente para os comerciantes, pois a tendência destes é de concentrarem demasiado a sua atenção no dinheiro, nas contas e nos números, nos lucros, no que entrou no cofre e no que saiu. E em todo esse processo ele acaba esquecendo-se das suas obrigações. Por isso o Profeta S.A.W. disse: “O comerciante honesto estará na companhia dos profetas, dos verdadeiros e dos mártires”. Infelizmente são poucos os comerciantes com essas qualidades. Todavia, é possível todos os comerciantes serem dotados dessas nobres qualidades, desde que haja vontade. 

 O comerciante muçulmano tem que ser exemplar, demonstrando ser detentor das boas qualidades instituídas pela nossa religião, evitando tudo o que possa manchar a boa imagem do Isslam e dos muçulmanos. 

7 – Não deve subir os preços aproveitando-se da falta ou da procura, para ganhar mais do que o permitido. 

Os governos ajustam o salário mínimo dos trabalhadores para que estes melhor possam enfrentar as carências e a onda de subida de preços. Porém, contrapondo esta medida alguns comerciantes aproveitam-se disso e empolam os preços sem qualquer motivo válido, com o único objectivo de enriquecer rapidamente. A subida desordenada de preços causa dificuldades e aperto a muitas pessoas, principalmente aos que têm que sobreviver com um salário magro. 

Os comerciantes devem contentar-se com lucros razoáveis, não se deixando levar pela ganância de querer ganhar 100%, explorando o pobre consumidor, pois 5% a 10% por cento já é uma margem aceitável. Uma das formas de ganhar mais é manter uma margem mínima de lucro, mas com maior rotatividade da mercadoria. 

O Isslam trouxe justiça, e se não definiu as margens de lucro, então deve-se tomar em consideração o espírito de justeza que ele advoga, pois a justiça é algo natural.

Sheikh Aminuddin Mohamad 

Deixe o seu comentário

Comentários (0)