Um espaço dedicado ao mundo Islâmico
Publicidade

“Precisamos estar mais unidos para que a propagação do Isslam tenha mais impacto”, afirma Sheikh Yassin Aly

“Precisamos estar mais unidos para que a propagação do Isslam tenha mais impacto”, afirma Sheikh Yassin Aly
R
Redação Autor
Partilhar:
História

Na entrevista desta semana, conversamos com o Sheikh Yassin Aly, da Manhiça, formado há mais de 20 anos e com experiencia de mais de dez na propagação da religião Islâmica. O teólogo destaca-se pelas suas campanhas de divulgação do Isslam no país com foco para a zona sul, nesse período somente no distrito da Manhiça, província de Maputo, já reverteu 3536 pessoas.

Espaço Islâmico (EI): Com base na experiência que tem, como é que olha para a situação do Dawah (propagação da religião islâmica) no nosso país e que papel a divulgação tem nos tempos atuais?

Sheikh Yassin Aly (YA): O Dawah em Moçambique está sendo feito, graças a Allah mas eu acho que estamos a fazer com esforço reduzido, pois temos muitos Álimos que estão na praça e com conhecimento porem não estão muito focados no Dawah. Penso que precisamos mais o reforço, precisamos mais estarmos juntos, precisamos de estar unidos, para que o nosso Dawah tenha mais impacto.

EI: Manhiça destaca-se quando falamos do dawah, devido ao trabalho que vocês fazem. Quais são os métodos mais eficazes de propagação do Isslam que o Sheikh observa actualmente?

YA: Cada um está a fazer da sua forma, na verdade o Dawah tem muitas formas de fazer. Alguns usam a comparação das religiões, outros fazem porta a porta, outros nas mesquitas, temos conversas abertas, há quem escreve livros, mas eu penso que se nós tivermos essa componente de união, a componente de irmandade verdadeira islâmica, cada um valorizar a forma que o outro faz, teremos bons resultados.

EI: Desses métodos será que existe um mais eficaz em relação ao outro ou olhando para era actual no contexto moçambicano, ou qual é o método que actualmente se deveria apostar? Perguntamos isso porque o trabalho que desenvolvem em Manhiça torou-se referência.

YA: Também tenho a afirmar isso, que somos uma referência, nós estamos orgulhosos. Na zona sul, Manhiça é o distrito com mais mesquitas e madrassas, não existe distrito que nos supera em termos de propagação da religião islâmica. Desde começamos a trabalhar convertemos mais de 3.500 pessoas, já vamos para 4 mil, até ano passado nós tínhamos 3538 pessoas que abarcaram o Isslam nas nossas mãos, a nossa primeira reunião desse trabalho foi no dia 19 de Setembro de 2010.

EI: Mas como é que vocês conseguiram isso, que estratégias usam?

YA: Nós aqui temos que trazer o sunnat (tradição profética), fazemos como o Profeta (SAW) fazia o trabalho, com simplicidade, honestidade, transparência e aproximação com as pessoas. Quando o Profeta (SAW) queria divulgar o Isslam ele sentava com os líderes das zonas onde queria trabalhar, fazia visitas, criava parceria e amizade com aquelas pessoas, criava uma relação forte para que fosse bem recebido. Ele até casou para propagar o Isslam. Nós em Manhiça estamos a usar esse método e a população já percebe que esses são os muçulmanos.

EI: Para além da fraqueza própria do muçulmano que actualmente tem na divulgação da sua própria religião, quais são outros desafios que costumam constatar neste processo de divulgação da religião islâmica?

YA: Devido à situação que temos em Cabo Delgado, aquilo suja a nós, mesmo não tendo nada a ver com a religião islâmica. Só porque as pessoas usam aquelas roupas falam árabe quem não tem conhecimento sobre as religiões associa aquilo a nós. Eu já reclamei uma vez que, nós acolhemos projectos sociais construímos escola, hospitais, damos assistência a crianças, mulheres e idosos mas as mesmas pessoas que vão se beneficiar daquelas coisas que nós fizemos, chamam a nós de terrorismo, isso tem sido desafiador. Outro desafio é a falta de condições para o trabalho, precisamos de apoio para massificar essas iniciativas.

EI: Enquanto Moçambique consegue ter este espaço para divulgar a religião islâmica, há países que o cenário é completamente diferente e debatem-se com casos de islamofobia. Como é que este tipo de situação afecta os trabalhos de dawah?

YA: Isso é triste mas não afecta o dawah, devemos ficar firmes. Esse tipo de situações sempre hão-de existir, porque sempre existiram, quantos episódios aconteceram com os profetas. Outra coisa é a falta de conhecimento, porque as pessoas aterrorizaram a nossa religião enquanto ela é contrária a isso. Nós temos a ajuda de Allah, que é o dono, criador deste mundo. O nosso dever é fazermos chegar às palavras, quem dá a compreensão da verdade é Allah. Quem quer lutar com o Isslam, vai ter a resposta da parte de Allah.

EI: Em relação às outras religiões, como tem sido o vosso relacionamento? Qual é o papel do diálogo inter-religioso na própria promoção e compreensão do Isslam?

EI: Muitos dos nossos irmãos eram muito e perdem a oportunidade de conviver com outras religiões para divulgar o Isslam. Quer dizer, como é que você quer chamar os outros para a tua religião se não quer conviver com eles? Como eles vão perceber que a tua religião é a verdadeira? Não podemos tratar os outros como inimigos porque temos crenças diferentes. Em Manhiça nós temos bons laços aqui, com outras religiões, ficamos unidos, mas cada um quando chega a sua hora vai cumprir com a sua forma de rezar, no seu canto, no seu local.

EI: Dada a sua experiencia, onde o Sheikh vê as maiores oportunidades para o crescimento do Isslam nos próximos anos em Moçambique? Refiro-me a zonas férteis para o dawah.

YA: Pela experiência que nós já temos, já percebemos que, para a propagação da religião deve haver diálogo, tem de haver interacção, troca de experiência. Esta é uma das coisas que nós temos que fazer muito. O território moçambicano é muito fértil para o dawah. E nós temos um governo muito aberto para essas questões, é só sabermos ser e estar ai vamos trabalhar sem problemas.

 

Deixe o seu comentário

Comentários (0)