“A juventude muçulmana deve unir a ciência e a fé para servir Moçambique”, defende Sheikh Nzé Assuate
O crescimento do Isslam em Moçambique e no mundo é uma realidade que o Sheikh Nzé Assuate recebe com gratidão, mas também com um sentido de responsabilidade redobrada. Para o líder religioso, a expansão da fé não é apenas um direito, mas um dever que deve ser exercido com sabedoria, especialmente junto de uma juventude que enfrenta desafios crescentes num mundo globalizado.
O Sheikh destaca que o convite à religião não deve ser feito de forma violenta. Ele apela aos jovens para que controlem as emoções e utilizem a “diplomacia e a pedagogia” como ferramentas principais.
“Usando a diplomacia, a pedagogia... a emoção, em algum momento, tem sido muito elevada, mas é bom a gente se controlar. O próprio conhecimento é fundamental, porque para você convidar os outros, é importante que tenha conhecimento sobre o caminho que estás a convidar”, explicou.
Sheikh N’ze recorda que a paciência é uma virtude central, lembrando que o Profeta Muhammad (SAW) levou 23 anos no seu processo de da’awah (propagação do Isslam). Para ele, a solidariedade é o argumento mais forte.
“Não é simplesmente através do que você fala, mas da sua acção. A pessoa convence-se por causa da sua acção”, revelou o teólogo.
Importância da boa convivência inter-religiosa
Questionado sobre a relação com outras confissões em Cabo Delgado e no país, o Sheikh afirmou que a convivência é “extremamente boa” e que esta tradição remonta aos primórdios do Isslam.
“A convivência inter-religiosa iniciou desde o momento do nosso Profeta Muhammad (SAW). Em Madina, ele conviveu com tribos judaicas e não-muçulmanas. Ele usou a sua diplomacia. Você tem que conviver muito bem com aquele que não é muçulmano para ganhar o seu coração”, clarificou.
Segundo o delegado, a caridade islâmica não deve ser selectiva. Para ele, ao apoiar um carente, independentemente da sua religião, cria-se uma ponte de diálogo e respeito mútuo.
“Queremos médicos e engenheiros muçulmanos”
Um dos pontos da entrevista foi o apelo à educação dual (religiosa e secular). O Sheikh contextualizou historicamente a baixa taxa de escolaridade entre muçulmanos no passado, atribuindo-a à intolerância do período colonial, onde o acesso ao estudo muitas vezes exigia a renúncia à fé.
Actualmente, num Moçambique independente, ele vê a educação como a maior ferramenta de emancipação.
“Queremos médicos muçulmanos. Queremos engenheiros muçulmanos. Queremos irmãos muçulmanos nos sectores do governo a trabalhar. Os nossos filhos têm que estudar o Isslam e têm que estudar também a outra parte, para estarem bem munidos e discutirem taco a taco com os outros”, avançou.
Para o Sheikh, o abandono do ensino religioso em favor do secular é um erro que gera “doutores sem moral”. Ele defende que a educação moral e religiosa nas “Madrassas” é o que ensina o respeito, a vergonha e a boa convivência social.
Redes sociais e a ética digital
Por fim, o Sheikh N’ze Assuate deixou um alerta severo sobre o comportamento dos jovens no ambiente digital. Ele condena a propagação de desinformação e ofensas online, classificando essas acções como contrárias aos princípios da fé.
“O jovem muçulmano não deve perder o foco. Partilhar mentira é haram (proibido). Partilhar ofensa é como se estivesse a ofender. Você não pode ser só um simples seguidor ou imitador. Antes de falar, você tem que pensar e ver se isto vai ferir os princípios do Isslam ou não.”, finalizou.
O líder encerrou a conversa reforçando o apoio às políticas de inserção da educação moral em todos os níveis de ensino, acreditando que só assim será possível “reprogramar” a sociedade e recuperar os valores de respeito que se perderam no tempo.
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