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“O problema não são as ferramentas, mas como as usamos”, diz Shams Khadeejah em entrevista sobre o Isslam na internet

“O problema não são as ferramentas, mas como as usamos”, diz Shams Khadeejah em entrevista sobre o Isslam na internet
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Redação Autor
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Educação

A educadora e criadora de conteúdos Shams Khadeejah defendeu, em entrevista ao Espaço Islâmico, a utilização estratégica das redes sociais como ferramenta de conexão espiritual e fortalecimento da comunidade. Com mais de dez anos de experiência em Dawah digital, ela sublinha que a presença digital muçulmana deve espelhar a conduta da vida real, incentivando uma maior participação feminina para desafiar preconceitos através da autenticidade e do respeito aos princípios da Shari’a.

Espaço Islâmico (EI): Temos acompanhado uma tendência crescente de presença de jovens nas redes sociais. Como é que avalia a presença dos jovens muçulmanos nas redes sociais?

Shams Khadeejah (SK): Daquilo que eu observo, em termos expansivos, no que diz respeito ao contexto moçambicano, a internet, no geral, ela vem chegando no ponto em que não tem como separar o digital do mundo real. É algo que eu penso que ainda não caiu, ou ainda não se tem muita conscientização disso, por parte tanto dos homens quanto das mulheres que estão nos muçulmanos no geral. Então, é algo que vem aí, vem forte, e que precisa ser tomado em consideração e ser usado mais de forma intencional.

EI: Esta conscientização fala na forma de uso, da literacia digital ou do comportamento que os muçulmanos devem apresentar nessas plataformas?

SK: No que diz respeito ao comportamento, se formos olhar para os muçulmanos em si, tanto homens quanto mulheres, é importante sublinhar isso. Quando falamos de como é que o muçulmano deve comportar-se em sociedade, todos aqueles elementos que são levados em consideração na vida real, na vida física, devem ser, ou poderiam ser, ou a sugestão seria, e é o que eu tento fazer também, com que se leve também para o digital.

EI: E podemos usar estas plataformas, o Facebook, o próprio YouTube, Instagram, TikTok, como ferramentas que acrescentam, ou nos conectam a Allah, é seguro usar estas plataformas para esses fins?

SK: Sim. Se olharmos para a evolução do ser humano, das suas maiores qualidades está a capacidade criativa e de inovação. O problema não são as ferramentas de comunicação, e sim como nós usamos elas. A internet ou as redes sociais, elas podem ser, e têm muito potencial de ser um meio de trazer o nosso maior potencial e conexão com Allah, e também trazer as pessoas perto do Isslam, sem dúvida nenhuma.

 

EI: Temos acompanhado episódios discursos de ódio que são promovidos nas próprias redes sociais. Como é que vocês lidam com este tipo de mensagens? O que é que vocês têm feito para reduzir discursos do género?

SK: Bom, o preconceito, como a própria palavra diz, é um conhecimento que se tem não aprofundado, sobre o assunto. E a melhor forma de fazer isso é mostrando quem somos, e mostrando também o que o Isslam é. Agora, como é que fazemos isso é o que deve estar em termos de cautela para cada criador de conteúdo no contexto islâmico.

EI: O que está a faltar nos jovens muçulmanos para dominarem essas plataformas e criarem conteúdos que viralizam, transmitindo uma boa imagem da própria religião?

SK: A internet é uma bolha. Quando dizem que é uma bolha, significa que ela vai dar a si de acordo com aquilo que você pretende consumir. Da mesma maneira que nós nos perguntamos como é que nós podemos fazer para satisfazer e ficar próximo de Allah, no geral, e da mesma forma que deveríamos fazer ao usar a internet. Devemos pensar primeiro na autenticidade. Como é que eu posso ser autêntico naquilo que eu produzo, mas também como é que eu posso fazer isso de acordo com os limites estabelecidos pela Shari’a.

EI: Notamos pouca presença de mulheres a se destacarem na produção de conteúdos para as redes sociais que visam a difusão da religião islâmica através das redes sociais. Como é que olha para essa situação?

SK: Primeiro, penso que é o contexto islâmico e cultural que nós fizemos e também a perspectiva islâmica de cada um, individual, que cada um tem sobre as mulheres ou sobre se estar presente ou não nas redes sociais. Porque é possível, é totalmente normal que alguém tenha a opinião, por exemplo, de que elas não precisam estar lá. Exactamente por elementos de modéstia. O segundo motivo é a coragem de algumas pessoas. Eu não poderia te dizer de forma generalizada mas acredito que é o conflito entre estar a difundir o Isslam e ainda assim preservar a modéstia, e também como é que a sociedade islâmica olharia para isso. Esses três elementos combinam, interligam-se para que não haja tantas mulheres a falarem sobre elas mesmas dentro do Islâmico. Eu espero que mude com o tempo, porque é necessário.

EI: E o que é que precisa ser feito para termos esta mudança, criarmos estes fóruns particulares para mulheres?

SK: Devemos parar de olhar o mundo digital como vilão e sim como uma potencial ferramenta para promoção da religião e ela inclui também as mulheres.

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