Um espaço dedicado ao mundo Islâmico
Publicidade

Introdução às Finanças Islâmicas: Janfar Abdulai e Carino Modan lançam primeiro livro do mundo escrito por muçulmanos e em português

Introdução às Finanças Islâmicas: Janfar Abdulai e Carino Modan lançam primeiro livro do mundo escrito por muçulmanos e em português
R
Redação Autor
Partilhar:
Sociedade

Moçambique e o mundo ganham, no próximo dia 24 de Setembro, uma obra de quase 500 páginas, intitulada “Introdução às Finanças Islâmicas - Princípios, Contractos e Modelos de Intermediação”. Escrito por Janfar Abdulai, em co-autoria com Carino Modan, o livro apresenta soluções práticas para aplicar o modelo financeiro islâmico no país.

A publicação estabelece um feito histórico à escala global, por ser o segundo livro sobre finanças islâmicas escrito em língua portuguesa no mundo e o único em absoluto concebido por autores muçulmanos no idioma lusófono.

Em entrevista exclusiva ao portal Espaço Islâmico, Janfar Abdulai fez questão de esclarecer a natureza da obra, afastando qualquer conotação puramente religiosa.

“Esta não é uma obra de teologia sobre finanças islâmicas. É uma obra do âmbito financeiro, académico e secular, embora tenha passado criteriosamente pela revisão e pelas mãos de teólogos para garantir a sua conformidade”, esclareceu.

A ideia do livro nasceu da junção entre a experiência pessoal do autor e a sua trajectória profissional no Banco Central de Moçambique.

Segundo o entrevistado, as dificuldades reais enfrentadas para enviar dinheiro a uma irmã que estudava no Sudão, onde o sistema bancário operava sem qualquer intersecção com a banca convencional, despertaram a sua curiosidade científica sobre a arquitectura financeira do mundo islâmico.

Janfar explica que esse interesse transformou-se em acção após conversas técnicas com um primo regressado da Arábia Saudita com mestrado em Economia e Finanças Islâmicas.

Juntos, decidiram testar a viabilidade dos conceitos no terreno, criando em Pemba o operador de microcrédito com bases nos princípios islâmicos.

Testada a iniciativa, depois de algum tempo mesmo com bons resultados, tiveram que interromper, por motivos de força maior.

Segunddo ele, apesar da interrupção, a experiência acumulada provou a existência de uma fatia substancial da população totalmente excluída do sistema bancário tradicional.

“Mostramos que há pessoas que nunca procuraram a banca tradicional porque não se identificam com a cobrança de juros. Se o objectivo do país é seguir políticas de inclusão financeira, temos de nos preocupar também com quem não se revê na banca convencional”, explicou.

Soluções práticas para a economia nacional

O autor conta que o processo de elaboração do livro, exigiu rigor e persistência. A entrada de Carino Modan para a co-autoria trouxe a chancela da reflexão sobre a conformidade com a Sharia, a arquitectura de compliance necessária aos sistemas bancários modernos, entre outros aspectos.

“Não basta dizer que uma operação é um contrato de partilha ou de venda. É preciso acautelar a finalidade do financiamento e os mecanismos de compliance, garantindo que não se financiam actividades proibidas. O meu co-autor foi exímio nesse processo”, elogiou.

Longe de ser um manual exclusivo para muçulmanos, a publicação traz simulações numéricas e exemplos práticos desenhados para estudantes, instituições financeiras e tomadores de decisão política.

Janfar revela que a obra demonstra como o Estado moçambicano pode estruturar títulos participativos para financiar o défice orçamental e como os bancos comerciais podem lançar produtos alternativos no mercado.

No que toca ao enquadramento legal, o autor sublinha que a revisão da Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras em 2020 já acolhe o conceito de finanças participativas”, terminologia adoptada em Estados laicos para enquadrar a banca islâmica.

“A nível político e legal, a lei de 2020 já acomoda as finanças participativas. O que falta agora é a regulamentação operacional pelo Banco Central. O nosso livro surge justamente no momento ideal para apoiar essa fase de operacionalização e debate no país”, concluiu. (Texto: Ekibal Seda / Foto: Daúde Adade)

Deixe o seu comentário

Comentários (0)