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Religiões em Maputo defendem “resgate dos valores morais” e fundos públicos adaptados à fé para combater a pobreza

Religiões em Maputo defendem “resgate dos valores morais” e fundos públicos adaptados à fé para combater a pobreza
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A Cidade de Maputo foi palco da Primeira Reunião Anual das Confissões Religiosas, o evento sob o lema “Celebrar a Diversidade Religiosa, Promovendo os Laços de Solidariedade entre os Moçambicanos”, reforçou o papel da fé na construção da paz.

O Secretário de Estado na Cidade de Maputo, Vicente Joaquim Imede, que presidiu o encontro, destacou que a laicidade do Estado moçambicano é o que garante a harmonia, afirmando que “o Estado laico garante que nenhuma fé se imponha sobre as outras e que todos os cidadãos tenham iguais direitos e deveres”, sublinhando ainda o compromisso do governo em apoiar as confissões na promoção do bem-estar espiritual e material.

A intervenção do Conselho Islâmico de Moçambique, representada pelo Maulana Daud Ibramogy, Diretor-Geral do Gabinete Juvenil, trouxe uma fundamentação teológica sobre a convivência inter-religiosa.

Citando o Alcorão Sagrado, o Maulana lembrou que “se o teu Senhor quisesse, teria feito de todos os seres humanos uma única comunidade. Mas eles continuarão a diferir”, evidenciando que a diversidade é uma vontade divina e não um erro da história.

Reforçou ainda o princípio da liberdade de crença. “Não há coerção na religião”, e recordou o dito do Profeta Muhammad (SAW), que alerta que causar dano a um não-muçulmano que vive em paz é o mesmo que causar dano ao próprio Profeta.

No mesmo espírito de união, o Bispo Rodrigues Dambo, Presidente do Conselho Cristão de Moçambique, reiterou que a diversidade é uma riqueza criada por Deus. “Deus criou pessoas diferentes... tudo isso para pudermos apreciar e nos admirar”, afirmou o Bispo, frisando que a colaboração entre fés é visível no quotidiano moçambicano, onde famílias de diferentes religiões coexistem em paz.

Bispo Dambo defendeu que os livros sagrados convergem para o amor ao próximo, sendo este o caminho para a estabilidade nacional.

O debate abordou também aspectos práticos da sobrevivência e ética social. O Sheikh Abdul Qahar Apaite expressou preocupação com a situação económica dos crentes, realçando que “o crente quer paz interior, mas quer paz económica e social”, e apelou ao Estado para que os fundos de desenvolvimento considerem as especificidades religiosas, como a proibição islâmica de juros.

No âmbito social, o Reverendo José Guerra, vice-presidente do Conselho das Religiões, instou as congregações a serem agentes de desenvolvimento económico, sugerindo projectos para ocupar os jovens.

Por sua vez, a Pastora Adelaide e o Pastor Nelson Zita focaram-se no combate aos males sociais, com Zita a apelar a um “resgate ético” contra as drogas e a mendicidade, enquanto o Pastor Fernando Mafumo defendeu que a educação e a tolerância devem começar no seio das famílias.

O Secretário de Estado, Vicente Joaquim, encerrou o encontro garantindo que as preocupações apresentadas, desde a legalização de igrejas até ao acesso a financiamento, serão acompanhadas de perto.

Ficou o compromisso de que as lideranças religiosas não usarão os seus púlpitos para a discórdia, mas sim para serem “mensageiros da paz”, consolidando Moçambique como um exemplo de tolerância religiosa no mundo.

 

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