Zaido Raja Amade e Muakil Ismail Ibrahimo vencem terceira edição do Concurso Nacional Al-Mahir Bil-Qur’án em Nampula
No último domingo, o Pavilhão do Ferroviário de Nampula despiu-se da sua natureza desportiva para se transformar num verdadeiro santuário de cultura e espiritualidade. O recinto acolheu a Grande Final da 3ª Edição do Concurso Nacional Al-Máhir Bil-Qur'an, um evento organizado pelo Conselho Islâmico de Moçambique.
O certame reuniu 15 finalistas apurados nas regiões Norte, Centro e Sul do país, divididos entre as categorias de 15 e 30 Juzes, perante um júri de elevado padrão técnico composto pelo Sheikh Mussa Sualeh, o Hafiz Aminudin e o Sheikh Mah'mud Barry.
O evento, que decorreu num ambiente de solenidade, consagrou novos talentos da memorização islâmica em Moçambique. Na disputada categoria de 15 Juzes, o grande vencedor foi Muakil Ismail Ibrahimo, representante de Maputo, que alcançou a impressionante marca de 96% de pontuação final.
O pódio desta categoria ficou completo com Ossman Felix, da província de Sofala, em segundo lugar com 90.5%, e Abdurahmane Raja Amade, de Nampula, que assegurou a terceira posição com 76%.
Já na categoria de 30 Juzes, a mais exigente por testar a memorização integral do Livro Sagrado, a vitória sorriu a Zaido Raja Amade, que manteve o troféu na província anfitriã ao atingir a média de 97.5%. Logo atrás, Osvaldo Mahando, de Cabo Delgado, garantiu o segundo lugar com 96%, seguido por Abdulremane M. H. Kupita, da província de Gaza, com 94%.
Delegado do CISLAMO enaltece o carácter moral do evento
Durante a abertura, o delegado do Conselho Islâmico em Nampula, Sheikh Abdulmagide António, sublinhou que este encontro, realizado no mês abençoado do Ramadhan, representa “muito mais do que um simples concurso”, sendo uma celebração do livro de Allah e um esforço colectivo para incentivar as comunidades, especialmente os jovens, a fortalecerem a sua ligação com o Alcorão.
Sheikh enfatizou que “este concurso não foi concebido como uma demonstração de capacidades individuais nem como uma competição por títulos ou prestígio”, mas sim para promover valores como a justiça, a honestidade e a responsabilidade.
Para o líder religioso, todos os participantes são considerados vitoriosos, pois “cada pessoa que dedicou tempo para memorizar ou recitar o Al-Qur’án alcançou uma honra elevada, pois carrega no seu coração as palavras do seu Criador”.
A cerimónia contou também com a presença de Luís Giquira, Presidente do Conselho Municipal de Nampula, que manifestou enorme satisfação ao testemunhar a “dedicação, disciplina e amor” dos jovens participantes.
Giquira destacou que ver as novas gerações empenhadas na memorização do livro sagrado é motivo de grande orgulho e reforçou a importância de continuar a incentivar este esforço de fé. Nas suas palavras, o autarca desejou que a iniciativa continue a “iluminar os caminhos das nossas comunidades, inspirando as pessoas a aproximarem-se da fé, esperança e paz”.
Governador de Nampula defende que a fé deve traduzir-se em gestos de solidariedade e civismo
O Governador da Província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, encerrou o evento com uma reflexão sobre a aplicação prática dos ensinamentos religiosos. O governante alertou que o verdadeiro sentido do Alcorão realiza-se quando os seus preceitos se reflectem no comportamento diário, como o respeito pela família e a solidariedade para com o próximo.
“Se os ensinamentos do Alcorão não se traduzirem no nosso comportamento diário, corremos o risco de os limitar à mera recitação”, afirmou Abdula.
Num momento de grande aclamação, o Governador solicitou à organização que se prepare imediatamente um concurso dedicado exclusivamente às mulheres e jovens raparigas, garantindo o seu apoio incondicional para que tal se realize após o Eid grande.
Ao finalizar, o Governador, carinhosamente tratado como “Tio Salim”, fez questão de agradecer publicamente aos seus parceiros, à classe empresarial e à sua esposa pelo apoio constante na promoção de eventos que unem educação, formação e cultura.
Reafirmando o sentimento de união, Eduardo Abdula reiterou que “todos venceram”, pois a presença dos 15 finalistas em Nampula é prova de inteligência, talento e sabedoria, elevando o espírito de fraternidade acima de qualquer rivalidade.
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