Livro sobre finanças islâmicas apontado como marco para um sistema bancário ético e sem juros no país
Figuras de destaque do ecossistema político, bancário e académico moçambicano convergem em considerar o livro “Introdução às Finanças Islâmicas - Princípios, Contractos e Modelos de Intermediação”, de Janfar Abdulai e Carino Modan, uma contribuição de elevado mérito técnico, ético e capaz de revolucionar o sector financeiro no país.
Nas reacções que antecedem o lançamento oficial da obra, agendado para o próximo dia 24 de Outubro, os dirigentes sublinham que a proposta oferece mecanismos práticos e inclusivos para aplicar um modelo de bancarização isento de juros, transparente e directamente conectado com a economia real de Moçambique
Prefaciado pela Primeira-Ministra de Moçambique, Maria Benvinda Delfina Levi, o trabalho assume um papel central nas discussões sobre o desenvolvimento económico do país.
Segundo a governante, “Janfar Abdulai e Carino Modan apresentam, numa linguagem de fácil leitura e com atenção à realidade moçambicana, os fundamentos, os contractos, os instrumentos e os mecanismos de supervisão deste sistema”.
No posfácio, Adriano Afonso Maleiane reforça essa perspectiva ao considerar que a obra “constitui uma valiosa contribuição para o estudo das finanças islâmicas, especialmente para os profissionais das instituições e sociedades financeiras, bem como para o público em geral”.
O impacto potencial no sector privado e nas políticas públicas é também destacado.
Omar Mithá, Presidente do Conselho de Administração do BNI e encarregado de apresentar a publicação, destaca a dimensão transformadora da obra, sustentando que “estamos perante uma obra que vem revolucionar a forma como hoje conhecemos a banca”.
Na mesma linha, Edson Macuácua, Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior e Presidente da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, pontua a oportunidade de aprendizagem trazida pelo debate nacional, sublinhando que “no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, recebemos uma contribuição que propõe a adopção das finanças islâmicas. Esta é uma oportunidade para aprender e compreender melhor este modelo financeiro”.
Por fim, o carácter ético e inclusivo da proposta é ressaltado por Jeremias Langa, jornalista e Presidente do MISA Moçambique, que nota que “as finanças islâmicas vão muito além da dimensão religiosa: não constituem um sistema exclusivo para muçulmanos, mas uma abordagem financeira genuinamente ética, sem juros nem especulação, directamente ligada à economia real e assente em valores universais de justiça, transparência e partilha de riscos”. (Ekibal Seda)
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